08/03/2013
O Tribunal Disciplinar da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) decidiu ontem, 7, a punição do Corinthians no caso Kevin Beltrán – garoto boliviano atingido por um sinalizador na partida de seu time, o San José, contra o campeão mundial, em Oruro. A partir da próxima quarta, no confronto com o Tijuana, a Fiel voltará a apoiar o Timão no Pacaembu nos jogos da Copa Libertadores. Na teleconferência entre o uruguaio Adrián Leiza, o colombiano Orlando Morales e o chileno Carlos Tapia – os outros dois membros do comitê responsável pelo julgamento, um brasileiro e um boliviano, não participaram da decisão –, o clube do Parque São Jorge ficou impedido apenas de ter torcedores em seus compromissos fora de casa nas competições sul-americanas. A pena tem duração de 18 meses, portanto atinge também a Copa Libertadores de 2014 se o Alvinegro estiver na disputa. Além de não receber carga de ingressos como visitante no próximo ano e meio, o Corinthians terá de pagar uma multa de US$ 200 mil (R$ 394 mil) à confederação. Embora tenham reclamado do período estendido da sanção, os advogados da equipe ficaram aliviados com o resultado. A punição preventiva, em vigor até o julgamento, era bem mais dura e obrigava o atual campeão a atuar com os portões do Pacaembu fechados, algo que ocorreu na semana passada, na vitória sobre o Millonarios. Em sua defesa, o Corinthians argumentou que não era o responsável pela segurança no estádio Jesús Bermúdez. E anexou imagens de vários jogos da Libertadores nos quais foram usados sinalizadores, sem qualquer punição para os clubes envolvidos.
O Timão usou ainda os seus bons antecedentes recentes. Os documentos enviados à Conmebol lembravam que a equipe conquistou o principal título do continente no ano passado como a mais disciplinada da competição. O triunfo permitiu ao clube ir ao Japão, vencer o Mundial e ver a festa da Fiel na Ásia elogiada pela Fifa e pela própria Confederação sul-americana. Definida a punição esportiva ao Corinthians – ou quase definida, já que o clube fala em recorrer –, continua a investigação criminal. Apesar da confissão de um menor, a Justiça boliviana questionou seu depoimento, feito no Brasil, e manteve presos 12 torcedores detidos em 20 de fevereiro, dia da tragédia. O Ministério Público diz ter poucos dados para agir no caso. Como o crime ocorreu em território estrangeiro, é provável que a Justiça brasileira não atue diretamente no processo, apenas contribuindo com a Justiça boliviana se houver essa solicitação. O depoimento do menor que diz ter disparado o sinalizador marítimo que matou Kevin Beltrán será encaminhado para a Bolívia.
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