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31/01/2016

Memórias do Carboni: Pano de Chão

Imagem/Arquivo Pessoal Memórias do Carboni: Pano de Chão

Desde os primeiros tempos, ainda na época da fundação do Fátima Futebol Clube, quem lavava os uniformes da equipe era minha mãe. Naquela época havia muita dificuldade, porque não tínhamos máquina de lavar-roupas e nem tanquinho. Na verdade, não havia nem água encanada no bairro da Fátima e era preciso puxar água do poço e lavar as roupas em um batedor de madeira ao lado de uma grande bacia. O sabão era de pedra, feito por nós mesmos, usando sebo e soda, ocasionalmente colocando breu ou cinza. Mas, minha mãe não reclamava, acho que até gostava do que fazia e esta situação perdurou por vários anos. Um dia ela adoeceu, felizmente não gravemente, e ficou impossibilitada de cuidas dos uniformes. Então, precisei achar outra solução. O meio escolhido foi que cada jogador levasse e lavasse sua camisa, o que foi aceito por todos, com o compromisso de trazê-la no domingo seguinte. Havia muitos jogadores e muitas substituições durante o jogo, mas, quem terminasse a partida é que levaria a camisa, mesmo que tivesse entrado no segundo tempo. Como a turma era unida e era difícil alguém faltar ao jogo, esse procedimento funcionou bem por um certo tempo. Num domingo, em uma partida em nosso campo, faltou um jogador. Faltou, não avisou o motivo da falta e nem mandou alguém levar a camisa. Peguei a bicicleta e fui até a casa do rapaz, que era perto do rua Goiás. Bati palmas e fui atendido pela esposa dele, que disse que seu marido viajara para São Paulo a procura de serviço e não sabia quando voltaria. Solicitei a ela que me entregasse a camisa, pois estávamos precisando. A resposta que recebi me deixou preocupado, pois ela disse que não tinha nenhuma camisa do time em sua casa. Falei a ela que era uma camisa alaranjada com frisos verdes na gola e mangas. Quando eu dei as características da camisa, aí foi a mulher que se surpreendeu e disse: “Ah, deve ser aquela que eu estou usando como pano de chão”. Eu pedi novamente que ela me devolvesse a camisa, seja qual fosse a situação em que se encontrava. A mulher entrou na casa e me preparei para receber uma farrapo rasgado e sujo, mas, quando ela voltou trouxe uma camisa limpa, sequinha e em bom estado, mesmo dando a impressão de ter sido usada como pano de chão. Mas, isto só ocorreu porque eu fui logo buscá-la e o tempo de uso ter sido curto, sem contar, é claro, o cuidado da mulher com seus objetos de limpeza. Voltando ao campo, ainda deu tempo de ver aquela camisa número 7 em ação.


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