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24/04/2016

CANTINHO DA SAUDADE

Imagem/Arquivo Família CANTINHO DA SAUDADE

Memórias do Carboni: O dia em que o mudo “falou”

É pessoal, esse caso de mudo “falar” eu não ouvi ninguém contar e tampouco li em algum lugar, na verdade eu presenciei o fato. E não foi em nenhuma igreja pentecostal (pródiga nesse tipo de acontecimento), e, nem em sessão espírita, mas, sim em um campo de futebol, mais precisamente no campo do Curtume, lá na década dos anos 80. Do mudo em questão ninguém sabia o nome, mesmo porque ele não tinha condições de dizê-lo e quanto aos documentos pessoais não mostrou e não se sabe se possuía, o fato é que um dia apareceu no campo e por ser uma pessoa extrovertida logo fez amizade com todos. Lá no campo do Curtume tinha uma paineira que “alugou” um de seus galhos para um enxame de marimbondos pretos fazer sua colmeia. Como os marimbondos não molestavam ninguém, alguns jogadores e torcedores que gostavam de uma arte, incentivaram o mudinho, como era conhecido, a pertubar os insetos. Ele era mudo, mas, não era surdo, e entendia tudo o que lhe diziam e sabia dos riscos que corria, mas, como também gostava de bagunça, aceitou entrar na brincadeira. Com todo mundo a uma distancia segura, o mudinho deu uma paulada na colmeia e foi picado várias vezes. O pessoal incentivava e ria e lá ia nosso “herói” de novo, de novo e de novo, até que enjoaram da brincadeira e a mesma acabou em risadas e até ele também ria, apesar de ter levado várias picadas pelo corpo. Mas, não foi nesse dia que ele falou e sim em outra ocasião. Como eu já disse em outras vezes, no campo do Curtume havia um pessoal que não tinha miséria com bebidas. Nem bem acabava uma garrafa ou litro e já tinha outra no ponto para ser aberta. Geralmente o encarregado de abastecer a turma era o Dinho Mendonça, porque era o mais rápido para ir buscar a encomenda em algum bar da redondeza. Pegava o dinheiro da arrecadação, esperava alguém aboletar-se na garupa da moto e partia rápido. Numa dessas vezes quem se habilitou e subiu na garupa para ajudar a trazer as garrafas foi exatamente o mudinho. Nessa época a diretoria do Curtume autorizou que soltassem várias cabeças de gado no pasto ao lado do campo e era comum algumas reses entrar no gramado e circular entre os presentes. Nesse dia em que o mudinho resolveu ajudar a buscar as bebidas, o Dinho, como era seu costume, deu uma forte arrancada quando uma novilha passou na frente. Na iminência de uma colisão, o mudinho arregalou os olhos e em alto e bom som gritou “pára”, para o Dinho parar a moto, mas, como ele era um exímio motoqueiro, deu uma guinada para um lado e evitou o choque. Todos que estavam por perto e presenciaram a cena, riram e chamaram o Dinho de milagreiro por ter feito o mudo falar. Na verdade, ele só disse aquela palavra e de medo, mas, daí em diante o fato ficou conhecido como o dia em que o mudo “falou”. Quanto ao mudinho, da mesma maneira que apareceu, também se foi, sem deixar notícias.


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