21/10/2018
Memórias do Carboni: Jogo em Garcia – parte II
Continuando a história da ida do Fátima Futebol Clube de trem para ir jogar em Garcia/MS, lembro que todos nós tínhamos comprado passagens de segunda classe, menos o Dinho Mendonça que não comprou nenhuma passagem, então o Luis Pinga, Aragão e Palhinha foram se sentar no vagão de primeira classe que estava quase vazio e tem os bancos estofados tipo poltrona. Só que o condutor não dava trégua e obrigou-os a voltarem para o vagão de segunda classe com bancos duros e apinhados de gente. A gozação era muita e quase ninguém escapava de ser azucrinado e muitos daqueles passageiros que costumam ficar andando pelo trem, era motivo de chacota. Nem o condutor escapou, mas com ele nos demos mal. Já havíamos viajado muitas vezes de trem e conhecido vários condutores, mas aquele sujeito baixo, gordinho e de meia idade foi diferente, pois ele não gostou nem um pouco das brincadeiras. Ele nos deu um chá de esculacho chamando-nos de raça sem qualidade e não ficou só nisso não, pois ele já foi avisando que se não nos comportássemos com decência e educação, ele nos entregaria à Polícia Federal, assim que chegássemos a cidade de Três Lagoas. A sua bronca até era justa, pois mais tarde fiquei sabendo que alguém até tentou passar a mão em seu traseiro. Era uma época em que a polícia era respeitada e como na nossa turma não tinha nenhum malandro, ninguém ousou contestá-lo, só que alguns quilômetros depois, fizemos amizade com ele, que resolveu ser um cara até legal. As brincadeiras continuaram só que em ritmo mais fraco e pararam de vez quando a noite foi avançando e o pessoal foi ficando com sono e alguns até dormiam. Somente nas estações de algumas cidades em que passávamos é que despertava algum interesse porque sempre havia gente na plataforma e com as quais mexíamos. A travessia do pontilhão sobre o Rio Paraná, que serve de divisa entre São Paulo e Mato Grosso foi feita quase a meia noite e devido a escuridão, não foi possível admirar a bela paisagem e dentro de pouco tempo chegamos a Três Lagoas onde paramos por meia hora. Partimos novamente e como não havia nada a ver ou fazer, o jeito foi tirar uma soneca. Após muitas curvas e solavancos e de passar por algumas localidades inexpressivas, chegamos a Garcia. Quem esperava encontrar pelos menos um vilarejo, se enganou, pois tudo o que existia era uma dúzia de casas e um boteco. A luz existente na estação provinha de um lampião à gás e assim que descemos e o trem partiu a luz foi apagada e tudo ficou as escuras e só não foi pior porque era noite de lua cheia e o seu reflexo quebrou um pouco a escuridão reinante. Na própria estação havia um grande quarto a nossa disposição. Só havia duas camas e o pessoal teria de se contentar em dormir no chão. Eu não esquentei a cabeça porque já tinha experiência em dormir no chão, adquirida em acampar no mato e nas minhas viagens de bicicleta, mas teve jogador que estranhou e só não reclamou por vergonha. Eu levei meu cobertor, com o qual forrei o chão e as camisas do time acondicionadas em um saco, serviram de travesseiro. O Picareta entrou em outro quarto ao lado e deitou na primeira cama que encontrou, mas sua mordomia durou pouco pois o dono da mesma logo chegou e o expulsou. Esta cama pertencia a um funcionário da estrada que tinha ido abrir uma chave na linha e agora voltava para um merecido repouso. O Picareta não se deu por vencido e ao se levantar e se dirigir para a porta, veio puxando o cobertor do rapaz que notou a manobra e pegou seu pertence de volta.
No próximo artigo a continuação da história
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