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25/08/2019

CANTINHO DA SAUDADE

Imagem/Arquivo Pessoal CANTINHO DA SAUDADE

Memórias do Carboni: Entes fantásticos

Tempos atrás escrevi um artigo comentando sobre entes folclóricos presentes em todas as regiões do Brasil e que fim levaram. Escrevi sobre o Saci Perere, o Caipora e o Boto Cor de Rosa, onde moravam, o que faziam e como com a modernização, avanço tecnológico e a perda de habitat deles, as novas gerações foram esquecendo o passado do Brasil. Hoje pretendo falar um pouco sobre o Lobisomem, a Iara e o Boitatá. Segundo a crença, o Lobisomem era um homem que se transformava em um bicho hibrido com o lobo, em certas noites específicas de lua cheia. Ficava a noite inteira aterrorizando pessoas e animais que cruzassem seu caminho e até ameaçando invadir casas. Segundo a lenda ele teria a missão de passar por sete encruzilhadas e ao raiar do dia voltava ao normal. Mas porque esse homem foi escolhido para se transformar? Antigamente a população era majoritariamente rural e as culturas existentes demandavam muita mão de obra (café, algodão, amendoim) então as famílias eram muito numerosas. As atividades principais eram trabalhar e procriar e aí surgiu a crença que o sétimo filho homem de uma família era predestinado a ter a sina de virar lobisomem. Com o êxodo da população para as cidades, o formato familiar diminuiu de tamanho porque tinham de pagar aluguel, água, luz e fazer compras, coisas que não existiam lá na roça, e, também porque encontraram outras maneiras de passar o tempo livre. Dificilmente se encontra famílias com muitos filhos, principalmente sete homens, então a maldição do Lobisomem extinguiu-se. A Iara também se deu mal com o aumento da população e a transformação social. Ela era uma entidade que protegia rios e matas e vivia tranqüila em seu reino. Aconteceu a derrubada indiscriminada das matas e como conseqüência o lençol freático se aprofundou, a erosão aumentou, as minas e nascentes foram assoreadas e os pequenos e médios rios secaram ou tiveram o volume de água bem diminuído, o que gerou um grande problema. É que a Iara tem um grande número de adeptos que a cultuam como uma entidade muito poderosa que pode resolver seus problemas e para tanto costumam levar oferendas, tais como velas, comidas, frutas, adereços, etc, que são colocadas a beira de corredeiras e de cachoeiras e cascatas que eram os locais preferidos da Iara. Depois das orações e pedidos, todo o material usado era recolhido e colocado em local adequado. O fim desses locais de adoração causou grande dificuldade para os adeptos e para a Iara, que tiveram de ir cada vez mais longe das cidades ou até parar com os rituais. Já o Boitatá também vivia nos mesmos lugares que a Iara. Eram a bem dizer vizinhos e viveu o mesmo drama. Na verdade, ambos já vinham tendo problemas até um pouco antes da degradação. É que a partir de um certo momento, outros tipos de pessoas passaram a freqüentar esses locais, não com o fim de cultuar a Iara e sim para usar drogas, bebidas, churrasco e transas sexuais, e, o que é pior, não tinham o cuidado de recolher o lixo e colocá-lo em local adequado como faziam os adeptos da Iara. Quando a Iara ia banhar-se, não raro saía da água com uma sacola plástica enrolada no pé ou com um preservativo usado enroscado no cabelo. Com os riachos secando e o lixo aumentando, a Iara e o Boitatá tiveram de se mudar de lugar. Além do mais, o surgimento de extensos canaviais ou descampados pastos, tirou a magia mística do lugar. Os adeptos pararam de levar oferendas e pouco a pouco a tradição foi ficando esquecida. Os outros tipos de freqüentadores também pararam de ir, só que eles não serão esquecidos, pois a lembrança que deixaram ainda está lá e lá ficará por dezenas de anos ainda. São garrafas pet e de vidro, latas, fraldas infantis descartáveis e preservativos usados e vários outros tipos de objetos poluentes.


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