22/03/2026
Avaliação mensal do Tietê pela SOS Mata Atlântica apontou piora na qualidade da água e presença de esgoto no rio
DA REPORTAGEM
A qualidade da água do Rio Tietê no trecho que passa por Penápolis apresentou piora significativa, segundo levantamento do projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica. Os dados indicam aumento da poluição por nutrientes e a presença de coliformes fecais, evidenciando contaminação por esgoto doméstico e risco à saúde pública.
O monitoramento é realizado mensalmente sempre no mesmo ponto do rio, permitindo a comparação dos resultados ao longo do tempo. Em Penápolis, esse trabalho é conduzido por um grupo de voluntários, liderados pelo ambientalista Loan Ramos, que se desloca mensalmente até o local de coleta para realizar as análises de campo. Além dos voluntários, o projeto também é feito em parceria com o Centro de Educação Ambiental da Autarquia Municipal de Saneamento Ambiental de Penápolis, o Daep, e o Consórcio Ribeirão Lajeado, em parceria com a SOS Mata Atlântica. Até o momento, já foram realizadas oito campanhas, que mostram uma tendência contínua de degradação desde o início do acompanhamento.
“Nosso objetivo é acompanhar a situação do rio e gerar dados que possam contribuir para a conscientização da população e para ações concretas. Infelizmente, o que temos observado é uma piora gradual na qualidade da água”, relatou o voluntário Loan Ramos.
Excesso de nutrientes
Entre os principais problemas identificados está a elevada concentração de nutrientes, especialmente fósforo e nitrogênio, além de valores de pH acima do recomendado para rios de Classe 2 — categoria destinada ao abastecimento público após tratamento e à recreação de contato. A origem dessa carga de nutrientes pode estar associada ao escoamento superficial de áreas agrícolas e ao lançamento de esgoto sem tratamento. No caso das atividades rurais, especialistas apontam a influência do uso de fertilizantes do tipo NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), além de subprodutos da indústria sucroenergética, como a vinhaça e a torta de filtro. “Quando esses insumos não são manejados corretamente, a chuva acaba transportando os nutrientes para o rio. Isso intensifica a degradação da água e compromete o equilíbrio do ecossistema”, explicou o ambientalista.
Eutrofização evidencia agravamento do quadro
Um dos aspectos mais preocupantes identificados nas análises mensais é o avanço do processo de eutrofização no trecho do Rio Tietê em Penápolis. Esse fenômeno, associado ao excesso de nutrientes na água — principalmente nitrogênio e fósforo —, tem sido recorrente em todas as campanhas de monitoramento realizadas no local.
A presença contínua desses nutrientes indica um cenário de enriquecimento artificial do rio, resultado tanto do escoamento de áreas agrícolas quanto do lançamento de esgoto doméstico. “Esse excesso de nutrientes provoca o crescimento descontrolado de algas, reduz o oxigênio na água e pode causar a morte de peixes, sendo um indicativo claro que o rio está sob pressão ambiental”, destacou Ramos.
Contaminação por esgoto
A situação se agrava com os resultados obtidos nos meses de novembro, dezembro e janeiro, quando foi detectada a presença de coliformes fecais de origem humana. Esse indicador confirma a contaminação por esgoto doméstico e representa risco direto à saúde da população. “Quando há presença de coliformes fecais, significa que existe contaminação por esgoto. Isso torna a água imprópria para contato direto e representa risco de doenças”, alertou.
Riscos e necessidade de ação
Além do contato direto com a água, também há preocupação em relação ao consumo de peixes capturados no rio. “Embora os coliformes não contaminem diretamente os peixes, o esgoto pode introduzir substâncias como medicamentos, hormônios e compostos químicos persistentes, que se acumulam no ambiente aquático”, ressaltou.
Os resultados reforçam a necessidade de investimentos em saneamento básico, maior fiscalização ambiental e adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis. O monitoramento contínuo também é essencial para identificar as fontes de poluição e orientar ações de recuperação do rio.
Enquanto isso, iniciativas como o projeto “Observando os Rios” se consolidam como ferramentas essenciais para o fortalecimento de políticas públicas de saneamento e gestão ambiental, ao fornecer dados consistentes que auxiliam na tomada de decisão. Além disso, desempenham um papel estratégico na educação ambiental, ao promover o engajamento da sociedade e incentivar a participação ativa na preservação dos recursos hídricos.
(Rafael Machi)
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