01/08/2026
Equipe do Banco de Leite Materno da Santa Casa de Penápolis recebe Moção de Congratulação da Câmara Municipal
Proteção para o bebê e para a mamãe: aleitamento materno e prevenção do câncer de mama
DA REDAÇÃO
Quando se fala em amamentação, o foco costuma recair sobre os benefícios para o bebê. E eles são inegáveis. Mas há um lado dessa história que tem grande importância e precisa ser destacada neste dia: a amamentação também protege a mãe, de forma significativa e comprovada pela ciência. No “Agosto Dourado”, mês dedicado ao incentivo ao aleitamento materno, esse é o recado que o Dr. Alexandre Rossi, médico ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, quer amplificar.
"A amamentação é frequentemente apresentada como um ato de amor ao filho, e é. Mas também é um ato de cuidado com a própria saúde. Os dados sobre redução de risco de câncer de mama são sólidos e precisam chegar às mulheres, especialmente àquelas com histórico familiar ou outros fatores de risco", afirma o especialista.
O dado que toda mulher precisa conhecer
Um estudo publicado na revista The Lancet, envolvendo mais de 146 mil mulheres de 30 países, estabeleceu um dos dados mais citados da literatura científica sobre o tema: cada 12 meses de amamentação reduzem em 4,3% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama ao longo da vida. O efeito é cumulativo, ou seja, quanto mais tempo de aleitamento ao longo de todas as gestações, maior a proteção. A boa notícia é que a proteção é ainda mais evidente quando o aleitamento é prolongado e ocorre em mais de uma gestação.
O mecanismo por trás dessa proteção é bem compreendido pela ciência. Durante a amamentação, as células dos ductos mamários passam por um processo de maturação e diferenciação que as torna mais resistentes à transformação maligna. Além disso, a amamentação promove a eliminação de células mamárias que podem ter sofrido alterações durante a gestação, funcionando como uma espécie de renovação do tecido mamário. A redução na exposição prolongada ao estrogênio, promovida pela amenorreia da amamentação, também contribui para esse efeito protetor.
Pesquisa australiana, publicada em dezembro de 2025 no Jornal da USP, acrescentou mais uma camada a essa compreensão: mulheres que gestaram e amamentaram apresentaram aumento de células imunológicas específicas, sugerindo que a gravidez e a amamentação fortalecem a defesa imunológica contra o câncer de mama. É mais uma evidência de que o aleitamento materno é, também, um investimento na saúde da própria mãe.
Benefícios que vão além do câncer de mama
A proteção contra o câncer de mama é o dado mais impactante, mas não é o único benefício da amamentação para a saúde materna. A Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) destaca que o aleitamento materno também reduz o risco de câncer de ovário, contribui para a recuperação uterina no pós-parto, com a contração mais rápida do útero ao seu tamanho normal, auxilia no controle do peso pós-gestação e contribui para a prevenção da depressão pós-parto.
A amenorreia induzida pela amamentação traz benefícios hormonais e metabólicos adicionais à mulher no pós-parto: o impacto emocional. O aleitamento reforça o vínculo entre mãe e filho e pode ser um fator protetor importante para a saúde mental materna. "A amamentação completa o desenvolvimento da mama, iniciado ainda na vida embrionária e continuado na gravidez. Não é apenas nutrição para o bebê, é um processo biológico que favorece profundamente a saúde física e emocional da mãe", reforça o Dr. Alexandre Rossi.
O papel do ginecologista no incentivo à amamentação
O Dr. Alexandre Rossi defende que a consulta ginecológica é um espaço privilegiado para abordar os benefícios da amamentação para a saúde da mulher, especialmente em pacientes com fatores de risco para câncer de mama, como histórico familiar, idade avançada na primeira gestação ou uso prolongado de anticoncepcionais hormonais. "Muitas mulheres chegam ao pré-natal sem saber que a amamentação pode reduzir seu risco de câncer de mama. Quando essa informação chega com clareza e no momento certo, ela pode influenciar positivamente a decisão de amamentar e o tempo de aleitamento. É prevenção que começa muito antes do diagnóstico", afirma o especialista.
Estoque baixo: Banco de Leite materno da Santa Casa de Penápolis solicita doação às mães
O leite materno é o alimento mais completo para o bebê, composto por colostro, leite de transição e leite maduro. Ele fornece todos os nutrientes necessários, protege contra doenças e fortalece o sistema de defesa do corpo
A doação ao banco de leite humano é um ato de amor que salva vidas, nutre recém-nascidos prematuros e reduz a mortalidade infantil.
A nutricionista Denise Sussai, responsável pelo Banco de Leite da Santa Casa, diz que, atualmente conta com dez doadoras. “O estoque está baixo, antes da pandemia eram mais mulheres que doavam leite materno, e não estamos conseguindo aumentar as doações” revela. Ela explica que para se tornar uma doadora, são necessários os requisitos básicos: ser uma mulher saudável que produz leite além do necessário para o próprio filho. “Nós entregamos um vidro, uma touca e máscara para a mãe fazer a coleta do leite, e buscamos em domicilio, às quartas e quintas-feiras”.
A equipe da maternidade do hospital convida as gestantes e lactantes a visitarem o Banco de Leite para obter mais detalhes sobre a doação, e destaca os benefícios do leite materno para o bebê: “proteção contra infecções, pois o leite materno possui anticorpos essenciais que defendem os bebês de baixo peso contra doenças graves, e também é recomendado para o desenvolvimento seguro do bebê, sendo que ajuda no crescimento saudável e na maturação do sistema digestivo dos recém-nascidos na UTI neonatal, incentivando as mulheres a fazerem a doação” afirma.
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